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Associados da Actrans participam de Seminário sobre mudanças no CTB na Assembleia Legislativa

22/05/2026

A Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans), juntamente com o Instituto Elas no Trânsito; o Instituto Mulheres pelo Trânsito e o Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Minas Gerais (Sindicfc-MG), participou de uma mobilização que lotou o auditório José Alencar Gomes da Silva e a parte externa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais durante o Seminário Estadual da Comissão Especial sobre a Alteração no Código de Trânsito Brasileiro, na tarde desta sexta-feira (22/5).

Durante sua participação, Adalgisa Lopes, presidente da Actrans, lembrou que a Psicologia do Trânsito nasceu em Belo Horizonte, das mãos de oito clínicas chefiadas por mulheres, em 1971. “Sim, foi aqui, em Minas, que alguém decidiu olhar para o motorista como ser humano, não como mero operador de volante”, diz a Adalgisa. O paralelo com Minas Gerais serviu para mostrar que a resistência do povo mineiro frente ao desmonte de segurança viária que se pretende com as mudanças no CTB encontrarão resistência por parte dos profissionais que dedicam suas vidas a garantir um trânsito mais seguro para todos.

Adalgisa falou sobre a importância das audiências públicas como “a única chance de o governo ouvir quem está na ponta”. “Se não fosse o diálogo insistente, a avaliação psicológica e médica já teria virado um carimbo”, disse, provocando acenos entre os presentes.

A presidente da Actrans, Adalgisa Lopes

A referência não era vazia: em tempos de pressão por barateamento dos processos, a proposta de tabelar em R$ 90 o pacote completo de avaliação psicológica e médica soa como convite ao desastre. R$ 200 é o que se paga, em média, hoje. Reduzir para menos da metade significa, na prática, transformar uma análise criteriosa em mercadoria de balcão e decretar o fim das clínicas de Minas Gerais.

E aqui entra um dado que envergonha o estado: do valor sugerido de R$ 90, a TASD (Taxa de Acesso ao Sistema) consome R$ 17,34. Para quem não é do ramo, a TASD é a taxa que o Detran cobra para que o profissional possa registrar o resultado da avaliação. Ou seja, quase 20% do que seria o pagamento do psicólogo ou médico vai para a burocracia. Sobram R$ 72,66 para pagar secretária, sala, material, formação e, claro, o tempo de um profissional que precisa detectar, em uma hora de entrevista e testes, se aquele jovem de 19 anos tem condições emocionais de dirigir. Adalgisa não precisou dizer que isso é inviável; o silêncio da plateia falou por ela.

Os números que ela trouxe são de fazer qualquer um repensar o valor de uma avaliação. Segundo dados do Ministério da Saúde e do Observatório Nacional de Segurança Viária, entre 80% e 90% das mortes no trânsito entre jovens de 18 a 27 anos têm origem no comportamento humano. Não é falha mecânica, não é buraco na pista, não é acaso. É decisão. É impulso. É cansaço. É ansiedade. E é justamente aí que a avaliação médica e psicológica atua: como um filtro que não pretende eliminar ninguém, mas sim preparar o condutor para o que vem depois. “Precarizar a avaliação é o mesmo que mandar um motorista para a BR sem freio”, comparou.

Antes de terminar sua fala, apresentou um vídeo no qual citou Tancredo Neves, que dizia que o mineiro não desiste nunca, e Adélia Prado, para quem a poesia está nos detalhes que a pressa ignora. “O trânsito brasileiro precisa de detalhe, não de pressa”, completou.

O recado final foi direto a todos: “Resistam. O trabalho de vocês é a última fronteira entre a imprudência e a prudência. Não deixem que a falsa economia transforme a avaliação em formalidade. Vamos resistir!”